A Paz esteja nesta casa!

Comunhão e co-responsabilidade são duas realidades que caracterizam a vida da Igreja hoje. Exprimem que todos os seus membros estão unidos na fé, na esperança e no amor de Cristo. E que são chamados a dar o próprio contributo para o crescimento da comunidade cristã e para a missão que lhe compete de testemunhar e anunciar o Evangelho. Bispos, sacerdotes, religiosos e leigos, todos devem cooperar para que os dons de Jesus Cristo cheguem a todos os homens e estes sejam enriquecidos espiritualmente, pela participação na vida divina que o Espírito concede a quem crê.

De várias formas, os fiéis leigos colaboram cada vez mais ao lado dos sacerdotes nas comunidades cristãs. A visita pascal às famílias, até há pouco realizada somente pelos sacerdotes, tem cada vez mais a participação de leigos como protagonistas, e não somente como auxiliares. Várias paróquias da nossa diocese avançaram já com esta ideia. Os ecos são claramente positivos, quer por parte dos leigos envolvidos na missão quer por parte das famílias que os receberam em suas casas. Também há, é certo, portas fechadas por a visita não ser feita por um sacerdote, mas a maioria aceita a mudança e reconhece que recebe a mesma alegria e bênção de Cristo ressuscitado.

 Nos casos que conheci mais de perto, os leigos que fizeram a visita regressaram felizes pela missão desempenhada e pela experiência eclesial vivida. A sua consciência de Igreja e o seu amor por ela cresceu. As famílias que os receberam também descobriram que afinal a Igreja não se reduz aos padres e que a paz de Cristo também pode ser comunicada por outros discípulos seus. Aliás, dá-se continuidade à experiência das mulheres que foram ao sepulcro de Jesus, encontraram-se com Ele ressuscitado e foram comunicar a notícia aos apóstolos.

Na visita pascal feita por discípulos de Cristo de hoje, qualquer que seja a sua vocação, realiza-se o mandato que Ele confiou aos discípulo, quando os enviou em missão, dizendo-lhes: «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe. Ide! Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ E, se lá houver um homem de paz, sobre ele repousará a vossa paz; se não, voltará para vós (cf Lc 10, 1-6). Este mesmo dom é comunicado hoje a cada família, na sua própria casa, por Cristo ressuscitado, através daqueles que vão em seu nome. Quem fecha a sua porta fica privado deste dom e da graça que o Senhor concede a quem O recebe na pessoa dos seus enviados.

Há ainda quem não consegue fazer a mudança. Por vezes, prefere-se acabar com a tradição por se temer envolver os leigos, que eles não aceitem essa missão ou não sejam bem acolhidos. Nos lugares em que a questão foi bem apresentada, a mudança adequadamente preparada e as pessoas bem informadas sobre o sentido da visita e a sua finalidade espiritual, a nova forma de a fazer é bem aceite pela maioria das famílias. No meu entender, é de preferir a visita a cada família do que outras alternativas que se têm ensaiado, ou simplesmente romper com esta bela tradição.

Em todo o caso, seja por leigos seja por sacerdotes, é preciso informar bem as famílias sobre o significado e finalidade espirituais da visita. E instrui-las sobre as formas, as atitudes, o espírito e os sinais com que deve ser recebida. Ela contribui para dar um colorido festivo à Páscoa, levando-a às ruas e às casas das famílias. Oxalá haja outros párocos e paróquias a adoptar estas boas práticas da visita pascal.

 Padre Jorge Guarda, in Grãos de Areia | Março 2015

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